Natural History Museum Concept

Nunca escrevi algo sobre esta série, tudo foi escrito por outras pessoas baseado em perguntas feitas a mim. Evidentemente é sempre feita uma edição de quem pergunta para que as respostas atinjam pontos desejados por ele. Não acho isso errado, pois todo texto tem uma função, e a de um texto jornalistico tem um foco no seu leitor. Não obstante disso esse texto tem também seu foco, um intuito, pois então será nele tentarei abordar o que não foi dito a respeito dessa serie.

Quando a iniciei em 2008, foi a primeira vez que busquei um equilíbrio entre minha formação, tanto acadêmica quanto pessoal. Nele encontrei a minha compreensão do que eu deveria fazer com o meu repertório e como materializar minhas intenções em imagens. Hoje isto é um exercício constante e faz parte de tudo que produzo.
Está claro para mim, importância deste projeto, pois nele descobri que deveria trazer para a minha produção a curiosidade em descobrir como as coisas funcionam e de como modificá-las para servirem a um propósito desejado por mim.
Infelizmente por muito pouco eu não consegui completar minha graduação em Biologia, contudo o mais importante dessa experiência foi fazer parte do projeto genoma por 3 anos. Nele aprendi a me organizar a ser disciplinado, aprendi a ser um cientista e levar a sério o método. Posso dizer que não existe um trabalho sem um método. Explicar todo o processo de saída do Genoma envolve muito, então vou me ater ao fato que depois de me formar em fotografia (2006) eu ainda tinha a decepção de não ter concluído meus estudos em biologia, isso ainda me assombra para falar a verdade.
Não lido bem com coisas não finalizadas. Portanto em 2008 fiz uma breve análise sobre como seria a minha vida se eu tivesse terminado meus estudos e seguido a profissão. Qual seria o caminho que eu teria seguido? Em uma conclusão, percebi que me chamava a atenção en ser biólogo, era sua capacidade de classificar o ambiente em que vivemos. Isso me bastou para que eu iniciasse meu trabalho de catalogar. Algo visto em todo meu trabalho desde então.
O Museu de História Natural é uma série que apresenta o hibridismo de conceitos que vão desde de ecologia e taxonomia até questões subjetivas e emocionais que são despertadas pela maneira que as imagens são apresentadas.
Aqui vou explicar algo primeiro, neste momento estou escrevendo algo sobre 2008-9, e por mais que eu esteja envolvido com meu trabalho, eu não tenho certeza da sequencia ao qual as coisas aconteceram. O caso é que eu estava pesquisando maneiras de criar uma visualidade própria para a fotografia digital e ao mesmo tempo estava pesquisando sobre os fotógrafos do século XIX e sua relação com o equipamento e a técnica.
Isso culminou em dois resultados: um software para câmera digital que confere as cores suaves as imagens e uma lente feita com lixo (uma tampa de shampoo e uma lente de óculos velha). Acredito que isso seja algo muito peculiar de se ouvir, vejo que ainda as pessoas gostam de se apegar apenas a essa parte da história e muitas vezes esquecem do resto. Bom, eu não consigo me esquecer do resto.
Quando eu planejei este trabalho, a lente e tão pouco o software existiam. Na questões estéticas, eu já sabia como eu gostaria que as imagens fossem no final, só ainda não sabia como chegar a isso.
Ao olhar para a serie não consigo deixar de ver as suas reais razões, percebi que deveria compartilhar algumas informações mais intimas a mim para que as pessoas possam entendê-las. Isso veio da necessidade de compartilhar. Nos últimos meses venho escrevendo sobre minha produção para organizar os pensamentos sobre cada uma das minhas series e criar uma rotina para as series que virão.
Em suma nunca disse que essas imagens partiram de sonhos. Como as outras series, as imagens não são a materialização desses sonhos, elas são resultados de reflexões que faço em relação a eles logo quando eu acordo. Em uma dessas reflexões, quis abordar a morte usando nossa interação com a natureza.
Aqui cabe outra observação, a ciência deu um grande passo, cada dia ficamos mais perto de confirmar que partimos de um ponto em comum em nossa evolução. Tudo ao nosso redor faz parte de algo singular e único. Somos feitos da mesma matéria da mesma escencia cosmica.
Mesmo sabendo disso, como explicar nossas ações diante da natureza?
Com essas imagens, convido o espectador a colocar um lençol branco sobre a cabeça, como um fantasma visitando um longo salão, e a distorção causada mostra a distância que temos da natureza. Ao mesmo tempo que cada uma das obras nos apontam semelhanças, a visão turva passa a ser a nossa ignorância ao priorizar o que não é necessário, o que não é prioridade.
Enfim, este trabalho é algo sobre o futuro, apesar da estética e do assunto ser algo que nos leve as grandes descobertas do século 16 e 17. Mostro com ele onde chegaremos se não mudarmos como lidamos com a natureza. Uso algo que remete ao passado para falar de futuro, foi onde encontrei uma forma de apresentar nossa interferência em tudo. Descobertas que nunca ficam apenas no ato de descobrir. Sempre alteramos tudo, e acredito que sempre estragamos tudo na maioria das vezes
Com essas imagens quis apresentar o nosso fim, mostro a nossa morte. Montro que estamos desaparecendo e deixando de estar presentes. Para mim não são as imagens que são tênues, são nossos olhos que não tem mais a capacidade de ver. O museu aqui é um instante desse futuro que estamos criando a cada dia. Cultivando nossa incapacidade de perceber e ver o que está a nossa volta.

Informações técnicas
Esta serie foi executada com uma câmera digital com seu software modificado para criar uma paleta de cores. Usou-se aqui uma lente construída com uma tampa plastica de shampoo e uma lente de óculos para corrigir a distancia focal. O resultado somado das duas interferências causou o efeito único desse trabalho. 

Natural History Museum (English version soon)